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Inspire-se em: Oscar Niemeyer


Se um dia, meus amigos e amigas, estas profecias catastróficas e sensacionalistas se tornarem realidade e a sociedade como conhecemos vir ao colapso, fico a imaginar da minha singela moradia retilínea que os seres do futuro vão olhar por debaixo dos escombros, ver edificações que só poderiam ter sido criadas por um ser muito mais avançado que os que habitaram aquela distante civilização, e ficar a contemplar tamanho mistério. Bem como nós pensamos hoje dos maias ou incas, ao observar as ruínas de suas arquiteturas. Pois estariam certos. Este ser tem um nome. Oscar Niemeyer.

“A GENTE TEM QUE SONHAR, SENÃO AS COISAS NÃO ACONTECEM.”

Niemeyer 104 vezes. Quando ele nasceu, em 1907, as jaquetas de nylon para barrar o frio não existiam pois, bem… ainda não existia o nylon. As filas nos caixas do supermercado deviam ser quilométricas, já que o código de barras só seria inventado quatro décadas depois. E a corridinha no parque, devia cansar bem mais carregando uma garrafinha de água, de vidro. Garrafas pet só seriam vistas em 1947.

“A VIDA É IMPORTANTE; A ARQUITETURA NÃO É. ATÉ É BOM SABER DAS COISAS DA CULTURA, DA PINTURA, DA ARTE. MAS NÃO É ESSENCIAL. ESSENCIAL É O BOM COMPORTAMENTO DO HOMEM DIANTE DA VIDA.”

Oscar passou pela juventude na boêmia, numa boa. Terminou o ensino médio e, em 1928, aos 21 anos de idade, casou-se com Anita Baldo, que estava na flor da idade, com seus 18 aninhos. A única filha do casal, Anna Maria Niemeyer, deu origem a cinco netos, treze bisnetos e quatro trinetos. Em junho deste ano, Oscar Niemeyer acompanhou a morte de Anna, que tinha 82 anos.

“SE NÃO PODE JUSTIFICAR UMA IDEIA EM UM PARÁGRAFO, DESISTA DELA.”

Sempre foi envolvido na política e chegou a ter amigos influentes como Fidel Castro e Vladmir Putin. Em 1940 Niemeyer conhece Juscelino Kubitschek, que o convida para projetar a Pampulha. De lá para cá, foram incontáveis obras que mudaram a forma como as pessoas encaram a arquitetura em todo o mundo, onde Oscar contesta todos os padrões retilíneos e duros da arquitetura comercial, ele considerava sem criatividade expressiva. Edifício Copan, edifícios oficiais da Praça dos Três Poderes em Brasília, Museu da Arte Contemporânea em Niterói, Museu Oscar Niemeyer em Curitiba, Auditório do Ibirapuera, e todos estes que você bate o olho e acha que o negócio é de outro mundo, foi ele quem projetou, com certeza. Na verdade, antes do nascimento da pessoa que lhes escreve no momento, Oscar Niemeyer já possuía um Fundação com seu próprio nome que fora criada para preservar seu acervo de mais de 500 trabalhos. Isso foi em 88.

“NÃO É O ÂNGULO RETO QUE ME ATRAI, NEM A LINHA RETA, DURA, INFLEXÍVEL, CRIADA PELO HOMEM. O QUE ME ATRAI É A CURVA LIVRE E SENSUAL, A CURVA QUE ENCONTRO NAS MONTANHAS DO MEU PAÍS, NO CURSO SINUOSO DOS SEUS RIOS, NAS ONDAS DO MAR, NO CORPO DA MULHER PREFERIDA. DE CURVAS É FEITO TODO O UNIVERSO, O UNIVERSO CURVO DE EINSTEIN.”

Chegou aos 100 lúcido e ativo. Ia todos os dias até seu escritório em Copacabana pra trabalhar em algum projeto. Isso só mudou pouco tempo atrás quando sua saúde começou a se deteriorar permanentemente. Oscar Niemeyer morreu ontem, 05.12.12, no Rio de Janeiro, aos 104 anos de idade.

Niemeyer nos trouxe curvas reviradas, ao lugar de uma reta inanimada.

“A VIDA É UM SOPRO.”

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Até a próxima semana, com notícias mais agradáveis no repertório.